
Aqui em casa o pessoal tem um problema sério. Para falar bem a verdade eles tem vários problemas sérios, mas só esse me incomoda. Incomoda-me porque eu adoro silêncio, um pouco de solidão e tenho mal humor quando acordo e não tomo café ou quando não leio alguma coisa durante o dia. Aqui em casa ninguém pode ter mal humor ou TPM ou resfriado ou dor de cabeça. Aqui em casa as pessoas tem que estar disponíveis 24 horas por dia e com um sorriso na cara. O telefone toca a cada cinco minutos e sempre tem gente entrando e saindo. O telefone do meu quarto, quase sempre, fica desconectado porque barulho de telefone tocando o tempo inteiro me irrita. A porta do meu quarto sempre fechada, porque não tem criatura normal na face da terra que consiga ler, escrever, ver um filme ou estudar quando sempre tem alguém: “Oi, Lisandra? Esse quarto é quente, né?”; “Guria vai namorar! Ainda tá aí?” “Tu sabia que fulano... blá-blá-blá”. PQP! Uma hora a pessoa explode, por mais passiva que seja. Mas eu não sou passiva, aliás, gente passiva é outra coisa que me irrita. Porque ninguém sabe, mas tenho corrido maratonas e vencido monstros gigantescos para conseguir sentir tudo isso sem arrancar minha cabeça fora.
Nada em mim é passivo. Tudo em mim fura, arrebenta, endurece, estoura na cara dos outros. Isso é ser mulher? Me diz!
Marcadores: Tati Bernardi