
Quando a gente não tem uma pequena almofada de veludo para acomodar nela todos os sentimentos que julgamos ser bons, o "melhor de nós", aquele brinquedinho que é tão brilhante que a gente esconde de quase todo mundo, porque é bonito demais, nós acabamos levando tudo na mão, dentro de um daquinho de pano ou de um recipiente qualquer. O tempo passa e tu enches o saco de ficar segurando aquilo, quase se esquecendo do quão bonito é aquele brinquedinho, e chega até a esquecê-lo de vez. Tu esqueces porque tu não abres esse saquinho há tanto tempo que acabas por esquecer-se completamente do que há lá dentro. São muitas as distrações...
Tu começas a deixar ele no chão.Em qualquer canto, em qualquer lugar. Tu perdes, até que o encontras, sem querer, no meio das tuas roupas. Aí tu o perdes de novo. Tu esqueces que um dia teve esse brinquedinho, esqueces a serventia dele. Aí sim...
Aí que chega o ALGUÉM. Nada nesse mundo te faria acreditar que existiria alguém assim, tão... tão... bom. Tu vais ao cinema, ver um filme qualquer junto dessa pessoa, um Almodóvar da vida, que seja. Tudo se torna tão especial, fica tão cheio de significados que você se entusiasma. "Eu te daria o mundo, agora, se eu conseguisse". "Não precisa me dar o mundo, me dá qualquer coisa brilhante, um brinquedinho". Tu tateias os bolsos. Moedas, palhetas, notas ficais, preservativos e cartões de visita. Tu perdeste o brinquedinho. Não adiante procurar, também. Esse é o tipo de coisa que, quando a gente encontra, a gente não devolve. Não tem dono, não tem nada escrito. Faz parte do mundo e tem um pouco do melhor que há em cada um de nós.
E brilha.
(
Texto original: Lucas Silveira (vocal da Fresno Alguemas alteirações feitas por mim).