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INFOMATION
.LisandraMoraes

Há quem diga que ela não passe de um monte de palavras. Há quem espere dela um monte de atitudes. Há quem a não conheça, há quem finja não conhecer. Há quem a siga, há quem se afaste. Há quem a abrace a há quem a faça chorar… Ela chora por não saber como dizer E escreve por não saber como chorar. Ela descreve o que não é E aposta no errado. Vive entre fases E te vicia lentamente. A abstinência te assusta, mas isso a diverte


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  • Os cavalos de Tróia
    Date / Time : quinta-feira, 15 de julho de 2010 / quinta-feira, julho 15, 2010

    Lembro que quando eu era criança, quando eu ainda amava as pessoas, quando eu era uma pessoa afetiva, eu tinha vários amigos. Amigos esses que fui afastando com o tempo. O afeto deu lugar a frieza. Minha frieza é o meu sustento, minha proteção, minha defesa. Age como uma muralha. Mas a muralha tem sempre umas seteiras, que não servem somente para despejar óleo fervente sobre a audácia de qualquer invasor, que feito cavalo de Tróia, decidiu ver o que existe para além daquela fortaleza. Servem para espreitar o mundo, deixar de vez em quando entrar uns traços de luz e iluminar o pó que se assentou com tempo. Estou a tempos envolta nessa muralha, me sinto claustrofóbica, meu corpo deve ser pequeno demais para minha alma, ou minhas angustias grandes demais para caberem em mim. Ela costumava ser como uma porta, que se abria de vez em quando para uns poucos aventurados, mas que com o tempo foi se solidificando devido aos conflitos internos e a necessidade de reparos. Porém não há reparo que remova as cicatrizes que ficaram.

    Aos cavalos de Tróia da vida, digo para se cuidarem. Essa muralha guarda uma fera. E a fera ta ferida, mas não ta morta.



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    Date / Time : segunda-feira, 12 de julho de 2010 / segunda-feira, julho 12, 2010

    Hoje eu acordei tão bem, que nem me lembrei dos dias que eu já levantei sem ânimo para encará-los. Hoje eu estudei tanto, que nem me lembrei das vezes que me julguei burra e sem graça. Hoje eu olhei pro espelho e gostei tanto do que eu vi, que nem me lembrei que existiam ali algumas gordurinhas. Hoje eu saí de casa tão feliz, que nem me lembrei que em algumas horas a tristeza bate, me sacode e me faz sentir dores que eu não imaginava que continuavam ali. Hoje eu entrei no meu quarto e fiquei tão feliz em ver tudo bonitinho, tudo do meu jeito, que nem me lembrei que ele já foi palco dos meus choros e ataques desesperados. Hoje eu olhei minhas fotos antigas e me deu uma saudadezinha tão gostosa de mim mesma e de todos os meus sonhos, encantos e descobertas, que nem me lembrei do quanto eu torcia para ter 14,15,16 anos e provavelmente sentirei o mesmo quando tiver 30. Hoje eu me senti tão livre, tão minha, andando com os meus cabelos voando contra o vento, que nem me lembrei das vezes que passei pelo mesmo lugar de cabeça baixa, sem coragem de encarar os fatos como realmente eram. Hoje eu conversei com tantas pessoas que no máximo havia trocado duas, três palavras, que nem me lembrei do quanto eu achava que ninguém mais poderia sair, nem entrar minha vida. Hoje eu me senti tão completa, que nem me lembrei do quanto eu chorei por não ter você mais para me completar, ou pelo menos, me enganar que me completava. Hoje eu lembrei de tantos momentos bons nossos com um sorriso no rosto, que nem me lembrei de tudo que nós nos tornamos um para outro hoje em dia. Hoje eu passei por aquele lugar que a gente sempre ia, tão tranqüila, com tanta paz dentro de mim, que nem me lembrei das vezes que no lugar dessa paz existia uma angústia enorme. Hoje eu lembrei do nosso fim tanto como uma página virada, quanto como um aprendizado, que nem me lembrei do quanto eu me senti perdida no começo. Hoje eu enxerguei em você alguém tão comum, alguém tão impossível de me fazer feliz de novo, alguém que pertence a um passado tão, mas tão distante. Alguém que não soube ser o centro da minha vida por nem ter controle ainda da própria, alguém que no fundo se incomoda tanto por eu não nem lembrar de todas essas coisas mas que é tão medroso que nunca vai admitir, que eu acabei enxergando o quanto tudo pode ser maravilhoso se eu quiser que assim seja, o quanto o percurso que a minha vida irá tomar está somente em minhas mãos, o quanto eu posso ser maravilhosa, diferente, se eu me ver desta forma. E hoje, por não me lamentar mais pela sua perda, pelo nosso fim, que eu senti que o nosso fim se lamentou por me perder.

    Carta endereçada a um idiota.
    Date / Time : sábado, 10 de julho de 2010 / sábado, julho 10, 2010

    Envio esta carta porque nunca mais quero você na minha frente.


    E dessa vez falo sério. Nunca mais quero ouvir a sua voz, mesmo que seja se derramando em desculpas. Nunca mais quero ver a sua cara, nem que seja se debulhando em lágrimas arrependidas. Quero que você suma do meu contato, igual a um vírus ao qual já estou imune.

    A verdade é que me enchi. De você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça. Não tem sentido continuarmos dessa maneira. Eu, nessa constante agonia, o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo. Tampouco quero a doçura dos culpados, artificial como aspartame.

    Fico pensando como chegamos a esse ponto. Como nos permitimos deixar nosso amor acabar nesse estado, vendido e desconfiado. Não quero mais descobrir coisas sobre você, por piores ou melhores que possam ser. Não quero mais nada que exista no mundo por sua interferência. Não quero mais rastros de você no meu banheiro.

    Assim, chega. Chega de brigas, de berros, de chutes nos móveis. Chega de climas, de choros, de silêncios abismais. Para quê, me diz? O que, afinal, eu ganho com isso? A companhia de uma pessoa amarga, que já nem quer mais estar ali, ao meu lado, mas em outro lugar? O tédio a dois - essa é a minha parte no negócio? Sinceramente, abro mão. Vou atrás de um outro jeito de viver a minha vida, já que em qualquer situação diferente estarei lucrando. Mas antes faço questão de te dizer três coisas.

    Primeira: você não é tão interessante quanto pensa. Não mesmo. Tive bem mais decepções do que surpresas durante o tempo em que estivemos juntos.

    Segunda: não vou sentir falta do teu corpo. Já tive melhores, posso ter novamente, provavelmente terei. Possivelmente ainda esta semana.

    Terceira: fiquei com um certo nojo de você. Não sei por quê, mas sua lembrança, hoje, me dá asco. Quando eu quiser dar uma emagrecida, vou voltar a pensar em você por uns dias.

    Bom, era isso. Espero que esta carta consiga levantar você do estado deplorável em que se encontra. Mentira. Não espero nenhum efeito desta carta, em você, porque, aí, veria-me torcendo pela sua morte. Por remorso. E como já disse, e repito, para deixar o mais claro possível, nunca mais quero saber de você.

    Se, agora, isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes.


    Adeus, graças a Deus.

    Nome do remetente.


    P.S.: esta não é mais uma dessas cartas-desabafo.

    P.S. do P.S.: esta é uma carta-desabafo-quase-música-de-Adriana-Calcanhoto.

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    Date / Time : quinta-feira, 8 de julho de 2010 / quinta-feira, julho 08, 2010
    Esta será a noite onde não irei chorar por você, onde não irei me culpar pelos meus erros, ou pelo que poderia ter feito, porque da minha parte, o máximo foi esgotado.

    Esta será a noite onde não irei me imaginar em um futuro perfeito ao seu lado, onde não irei abraçar o travesseiro entre lágrimas te imaginando ali.

    Esta será a noite onde eu não irei me apaixonar por você, onde com todos os seus defeitos não irei te achar melhor que todo o resto do mundo.

    Esta será a noite onde irei te enxergar tão normal, um alguém tão incapaz de me fazer feliz, incapaz de ser o centro da minha vida, por nem mesmo ter o controle da sua.

    Esta será a noite onde seus defeitos irão fazer de ti, um ser inferior, inferior a todos os meus sentimentos, inferior a todos à sua volta.

    Esta será a noite onde o encaixe perfeito do nosso corpo não irá fazer minha pele arder, onde suas desculpas não irão fazer diferença, onde o seu falso amor não irá mais me iludir.

    Esta será a noite onde todo o meu esforço será valorizado, por todo o tempo que lutei por ti, por toda lágrima que eu derramei quando deveria sorrir.

    Esta será a noite onde não irei fechar os olhos para te ver, onde não iremos nos encontrar nos sonhos, onde o meu ‘eu te amo’ será dito para um outro alguém, um outro alguém muito melhor do que você.

    Date / Time : domingo, 4 de julho de 2010 / domingo, julho 04, 2010


    Aqui em casa o pessoal tem um problema sério. Para falar bem a verdade eles tem vários problemas sérios, mas só esse me incomoda. Incomoda-me porque eu adoro silêncio, um pouco de solidão e tenho mal humor quando acordo e não tomo café ou quando não leio alguma coisa durante o dia. Aqui em casa ninguém pode ter mal humor ou TPM ou resfriado ou dor de cabeça. Aqui em casa as pessoas tem que estar disponíveis 24 horas por dia e com um sorriso na cara. O telefone toca a cada cinco minutos e sempre tem gente entrando e saindo. O telefone do meu quarto, quase sempre, fica desconectado porque barulho de telefone tocando o tempo inteiro me irrita. A porta do meu quarto sempre fechada, porque não tem criatura normal na face da terra que consiga ler, escrever, ver um filme ou estudar quando sempre tem alguém: “Oi, Lisandra? Esse quarto é quente, né?”; “Guria vai namorar! Ainda tá aí?” “Tu sabia que fulano... blá-blá-blá”. PQP! Uma hora a pessoa explode, por mais passiva que seja. Mas eu não sou passiva, aliás, gente passiva é outra coisa que me irrita. Porque ninguém sabe, mas tenho corrido maratonas e vencido monstros gigantescos para conseguir sentir tudo isso sem arrancar minha cabeça fora.

    Nada em mim é passivo. Tudo em mim fura, arrebenta, endurece, estoura na cara dos outros. Isso é ser mulher? Me diz!

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    Date / Time : sexta-feira, 2 de julho de 2010 / sexta-feira, julho 02, 2010
    O pulso ainda pulsa. Os órgãos continuam a funcionar como de costume. Exceto o coração. O corpo continua a fazer sua parte: ocupar lugar no espaço.

    - Mas e o coração? O que há com ele?

    - A pergunta certa seria: “O que não há com ele?”

    Depois de tantos buracos e cicatrizes, de tantos desperdícios... Ele bate descompassado. Vezes até pára. Continua no mesmo lugar, se recuperando. Somente à espera de novos motivos para começar com a tortura, com a mutilação.

    Egoísta, doentio e masoquista.

    Maldito coração.


    Date / Time : sábado, 15 de maio de 2010 / sábado, maio 15, 2010
    Nunca tive vocação para boa menina politicamente correta.

    Nunca consegui escapar de estar envolvida em algum tipo de problema.
    Nunca consegui ter uma vida calma e sempre fiz merda.

    E, na real, demorou até pra entender que eu gosto de fazer merda.

    Porque, se você pensar direito, se todo mundo fizesse tudo certinho, nunca nada ia ter mudado na vida de ninguém.

    Admirável Mundo Novo.

    E, de boa, eu já me decepcionei o suficiente com as pessoas pra me importar com o que elas pensam ou não sobre o que sobra de minha vida.

    Já fui utópica e idealista o suficiente pra abastecer quarenta anos adiante.

    Agora me reservo o direito à descrença.

    É estranho pensar assim.

    Muita coisa perdeu o sentido pra mim.

    E essa perda não foi nada suave.

    Enfim...

    A gente cresce com a idéia de que tem que acreditar em alguma coisa, mas não imagina que a maior certeza de nossas vidas é que essa coisa, qualquer que seja ela, vai ser arrancada da gente sem piedade.

    E é assim que a gente se torna adulto.

    Perdendo os sonhos.

    E só o que resta pra gente, nesse sentido, é o intervalo.

    Fora isso, seguir em frente causando o maior estrago possível.

     

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